Exposição Transhumance - NYCJW 2025
New York City Jewelry Week 2025

Transhumance

Uma jornada poética pela Serra do Espinhaço: as águas, as sempre-vivas e o ciclo da transumância em joias autorais.

Curadoria & Idealização

Adeguimar Arantes

Adeguimar Arantes

Adeguimar Arantes é uma artista reconhecida há décadas por transformar o Cerrado em peças únicas de joalheria, criadas à mão a partir de metais reciclados, refletindo a riqueza e a delicadeza do bioma. Seu trabalho valoriza as técnicas ancestrais e o toque humano. Desde 2020, lidera o projeto colaborativo Farei Joias, que fomenta a inclusão e a autonomia por meio da arte do metal.

Adeguimar Arantes is an artist recognized for decades for transforming the Cerrado into unique jewelry pieces, crafted by hand from recycled metals, reflecting the richness and delicacy of the biome. Since 2020, she leads the Farei Joias project, fostering inclusion and autonomy through jewelry making.

Conceito Curatorial / Curatorial Note

Transumância

No Cerrado de Minas Gerais, Brasil

O Cerrado é o coração das águas do Brasil e de grande parte da América do Sul. É uma savana muito especial, cheia de vida — com plantas e animais que não existem em nenhum outro lugar da Terra. Mas também é um dos biomas mais ameaçados. Na região da Serra do Espinhaço, no norte de Minas Gerais, vivem comunidades tradicionais que aprenderam a conviver com esse ambiente de forma sábia e respeitosa. Há mais de duzentos anos, praticam a transumância — o movimento sazonal das terras baixas para as terras altas, acompanhando o ritmo das chuvas. Essas comunidades são as guardiãs do Cerrado. Nesta coleção, seguimos o seu exemplo. Cada joia é criada com o mesmo cuidado e respeito — como uma semente que carrega memória, resiliência e esperança — um gesto para manter viva a beleza do Cerrado brasileiro.

In the Cerrado of Minas Gerais, Brazil

The Cerrado is the heart of the waters of Brazil and much of South America. It is a very special savanna, full of life — with plants and animals that exist nowhere else on Earth. In the region of the Espinhaço Mountains, in northern Minas Gerais, live traditional communities that have learned to live with this environment in a wise and respectful way. For more than two hundred years, they have practiced transhumance — the seasonal movement from the lowlands to the highlands, following the rhythm of the rains. In this collection, we follow their example. Each jewel is created with the same care and respect — like a seed carrying memory, resilience, and hope — a gesture to keep alive the beauty of the Brazilian Cerrado.

Coleção / Collection

Alda Assis

Sob as Lapas / Under the Shelters
Nas encostas da Serra do Espinhaço, o vento esculpe refúgios na pedra. Os abrigos acolhem o silêncio, o descanso e a resistência das apanhadoras de flores sempre-vivas. Desses espaços de sombra e luz nasce a coleção “Sob as Lapas” de Alda Assis. As joias evocam o abrigo mineral e a delicadeza das flores que persistem no cerrado. São formas que respiram o território — onde a pedra guarda memórias e o metal reflete o gesto paciente de quem transforma o tempo em matéria.
On the slopes of the Espinhaço Range, the wind carves refuges into the stone. The shelters cradle silence, rest, and the resilience of the everlast flower gatherers. From these spaces of shadow and light emerges the collection “Under the Shelters” by Alda Assis. The jewels evoke the mineral refuge and the delicacy of the flowers that endure in the Cerrado.
Coleção / Collection

Caroline Scalioni

Sempre Vivas / Everlasting
Nas altitudes da Serra do Espinhaço, onde o vento modela a paisagem e o tempo se dissolve em cor e silêncio, brotam as sempre-vivas — flores que não se rendem à secura, guardiãs da memória e da beleza do Cerrado. Caroline Scalioni transforma esse ciclo de permanência em joia: o gesto de colher sem destruir, o deslocamento ancestral das famílias que vivem entre as roças e as serras, e o respeito pelo ritmo da natureza.
In the highlands of the Espinhaço Range, where the wind shapes the landscape and time dissolves into color and silence, bloom the everlastings — flowers that do not yield to drought, guardians of memory and the beauty of the Cerrado. Caroline Scalioni transforms this cycle of endurance into jewelry: the act of harvesting without destroying, and the respect for nature’s rhythm.
Coleção / Collection

Cleli Melatto

Mani Oca / Mani Oca
Na base discreta da Serra do Espinhaço, onde o solo é raso e arenoso, pulsa a vida dos povos quilombolas, guardiões de um saber antigo. Com mãos firmes e corações ligados à terra, cultivam raízes que alimentam gerações. Ali, a mandioca se desdobra em trinta variedades que colorem e nutrem as refeições. O banco de sementes surge como um pacto silencioso com o amanhã: guardar o que a terra entrega para que a vida continue, preservando histórias, culturas e resistência.
At the quiet base of the Espinhaço Mountains, where the soil is shallow and sandy, the quilombola peoples live, guardians of ancient wisdom. There, cassava— the staple on many tables— blossoms into thirty varieties. The seed bank arises as a silent pact with tomorrow: saving what the earth gives so life, culture, and resistance may continue.
Coleção / Collection

Gil Vasconcelos

Águas que Nascem da Serra / Waters of the Mountain
Na Serra do Espinhaço, o tempo corre como rio. É nas pedras e nas veredas que nascem as águas que alimentam a vida das comunidades quilombolas. Essas fontes nunca secam — são doces, potáveis, e guardam a memória de um território fértil e preservado. Gil Vasconcelos transforma essa abundância em joia: braceletes e colares transparentes evocam o fluxo contínuo das nascentes e a limpidez das correntes subterrâneas.
In the Espinhaço Range, time flows like a river. From the stones and narrow valleys spring the waters that sustain the lives of the quilombola communities. Gil Vasconcelos transforms this abundance into jewelry: transparent pieces evoke the continuous flow of the springs and the clarity of underground streams.
Coleção / Collection

Rosa de Holanda

Mulheres de Caminho / Women of the Path
Retratar a transumância é um desafio e, ao mesmo tempo, uma fonte profunda de inspiração. Essa prática ancestral atravessa gerações e permanece viva na cultura de muitas comunidades. Famílias inteiras se deslocam entre os vales e as serras. É nesse gesto de ir e voltar, de permanecer em movimento, que Rosa de Holanda encontra inspiração para criar peças que traduzem essa travessia — peças que guardam em si o tempo, o trabalho e a beleza.
Portraying transhumance is both a challenge and a profound source of inspiration. Entire families move between valleys and mountains, sustaining themselves through this cyclical rhythm. It is in this gesture of going and returning that Rosa de Holanda finds inspiration to create pieces that translate this journey.